Um jeca, matuto, capiau ou qualquer outra palavra que demonstre um ser que se impressiona com tudo o tempo todo.
Hipocondríaco. Desconfiado.
Nascido e crescido no interior, com direito à escolinha de futebol, escaladas de muros escolares, natações olímpicas na represa, um amor platônico, rodinhas de violão nas esquinas, teclados e bandinhas de baile de debutantes, casamentos pelos interiores, musicas para amores platônicos, campanhinhas tocadas seguidas de corridas, outro amor platônico, pedras safadas em telhados barulhentos e tantas peripécias cabíveis, namoricos impossíveis e aromas memoráveis de roças e orvalho.
Um ser que vive em exílio na cidade grande, estudou o que sonhou e onde sonhou. Mas sempre, sempre um ser exilado do seu cheiro de mato molhado.
Tivesse a obstinação necessária, lutaria a luta pela descomplicação. Luta que parece ter virado cliché, perdido o sentido graças ao reinado da hipocrisia.
Mesmo assim: Tentá nóis tenta.
Qual falta faz um pedaço, ao pedaço que de cá fica pra trás Se metade-proporção não há, que meça o naco tardio Se num palmo não cabe o vazio, que aqui dentro jáz.
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