Antes de tudo, um feliz ano novo à todos, apesar de que o reveillion (entenda-se carnaval) já foi há mais de duas semanas.
Bastou aquela semana (eu fiz a quinta e a sexta-feira de cinzas) na pequena Três Marias, para lavar da alma a sujeira impregnada dos ultimos tempos.
Pouco antes da viajem, o arrependimento de quebrar o ciclo de carnavais na maravilhosa Diamantina já se apossava da pessoa jecal, mas, ao primeiro olhar na paisagem, as nuvens se foram e aquela paz preencheu o recipiente do ser que vos escreve.
É um lugar que para muitos seria insosso. Pequena, com suas 30 miles pessoas, sem shopping center, grandes casas noturnas, grandes cafés e livrarias, enfim. Mas um bom matuto só abastece sua bateria no lugar em que ela foi forjada, e assim, geralmente não fico mais do que 1 ou 2 meses sem retornar.
Muitas são as visões daquele lugar, e os mais jovens que lá habitam tendem a rejeitá-la por não pertencer(a cidade) mais ao mundo ultrasônico que nos arrebanha como gado de corte. Mas a minha visão do local é típica de um filho coruja, e só penso na bela e enorme represa, nas cachoeiras, nas pessoas que se cumprimentam ao se cruzarem nas ruas. Lançando mão do "Opa, cê tá bão/boa/beleza?" ou os simples "bom dia/tarde" ou só " Dia/Tarde".
Penso na minha geração de antigos amigos, que sempre retorna nas mesmas épocas, nos singelos programas que só se fazem naquele microcosmo: festa na Taberna do Lago, samba no Hotel (na beira do Lago), a sinuquinha cervejal nos butecos, as rodinhas de violão, o 'churras na casa de fulano', o 'bora nadar na represa?', ou o ápice do ano: A fatídica micareta "Carnamarias" que, nesse caso além de ser o marco da reunião de todas as turmas de egressos da terrinha, é de fato um rebuliço na cidadela, que com grande dificuldade consegue abrigo para todos os turístas. Nesses 3 ou 4 dias, tudo fica pra trás, até mesmo as minhas ressalvas ao axé-music, ao pagode e ao funk, já que são esses os responsáveis pela energia quase palpável que envolvem o trajeto atrás do trio nas estreitas ruas trimarienses.
Enfim, volta-se feliz, e pronto pras batalhas na verdadeira selva.
por G. Borges