segunda-feira, 10 de agosto de 2009
DES-VERDADES.
Se por ocaso dentro de ti
parte boa ainda houver
mesmo morta por covardes
e pequenas mentiras
use-a de novo, ali
se algum gosto lhe couber.
Que d'eu mesmo
bem sei no breu regenerar-me
Minha ferida honesta é
De juiz-dotô não apeteço fingir-me
Nem guardo o de falar
Sobreponho apenas minha pena
Por tuas tã pequenas
Desnecessárias desverdades.
Desnascidas deveriam-de.
G. Borges
quarta-feira, 29 de julho de 2009
ELEVADOR.
No Princípio houve o susto. Depois veio a dúvida acompanhada
do medo. Nessa hora a dona claustrofobia soltou seus soldados sanguíneos desembestados pelas veias jecais, na querência de disparar o coração e preparar os músculos pra a iminente fuga (no caso, impraticável, mas vai explicar isso pros instintos evolutivos...)
Primeiro pensamento:
"-Não, a energia não acabou comigo no elevador". Insiste nisso por uns 30 segundos. Constata, então, que o ar começava a faltar (o primeiro e mais forte sintoma da fobia), senta-se na cadeirinha de ascensorista (estava só no elevador) na tentativa de diminuir a altura manométrica de bombeamento do sangue para o cérebro, evitar possível perda de consciência e manter a escassa capacidade cognitiva intacta (o anjinho da engenharia falando no ouvido). Apalpa botões até descobrir o alarme, mas Murphy se reviraria no túmulo se o botão realmente funcionasse, seria anti-natural!! Não, o alarme não tem nenhuma fonte de energia extra, logo não funciona em situação de falta de luz (curiosamente, a responsável pela maioria das paradas de elevador.)
A segunda onda de pânico veio sem avisar, todos os pensamentos pessimistas recomeçaram, dessa vez mais fortes, mas o único sintoma notado foi o coração disparando num ritmo incessante. Após os 5 primeiros minutos de uns gritos de ajuda (másculos, diga-se, nada de histeria), a primeira resposta de um ser vivente conteve a crise que se apossava d'O Claustrófobo. Palavras como "está vindo...manutenção...chave especial..." fizeram o desejável efeito placebo.
Mas o Dotô Murphy em júbilo se encontrava, onde quer que estivesse, uma vez que o jeca, na véspera de outra leva de pânico, apalpa o bolso em busca daquele aparelho que usa para verificar as ligações não lidas(celular?), constata que o mesmo não se encontra ali, impedindo qualquer contato decente com o meio externo.
Aos 15 minutos de detenção e descobre a função luminosa do relógio de pulso, descobre que não está cego. Reanimado com a fonte de luz, resolve usá-la para encontrar um ponto de apoio para empurrar a porta interna e, ao conseguir, constata-se defronte a um paredão, mas há uma fresta para o andar de baixo, que poderia ser usada, desde que ele consiga abrir porta externa, o que naturalmente não foi possível.
Passos e conversas são audíveis agora, com a porta interna aberta:
"Eita hein!", diz o senhor para um colega, "dessa vez foram 3 transformadores queimados na rua, acho que em menos de 5 horas a CEMIG não conserta isso). "
Decide então cantarolar sozinho e evitar ouvir qualquer outra conversa. Pessoas passam e dão batidinhas no pedaço visível da porta externa, ele responde e pede notícias...nada da manutenção. Passa a brincar com o cronômetro, tentando acertar com precisão de 1 em 1 segundo. Não conseguiu acertar no 1seg exato, mas obteve em num impressionante 1seg e 3 centésimos por duas vezes. Repete o processo para minutos, contanto 60segundos mentais e apertando o botão do relógio, nota que tem boa noção de tempo, acerta marcas em torno de 58s, 62s...
Mais passos, barulho de ferramentas e vozes, agora alteadas: Porteiro: "-Porra meu, 40minutos pra chegarem aqui? vocês já estavam no prédio, que merda foi essa?" O rapaz responde que passou por ali e deu uma batidinha na porta e que ninguém respondeu...por isso passou para os outros andares onde provavelmente havia pessoas a serem resgatadas.
Esvai-se de súbito a calma matuta e, de dentro do elevador, antes mesmo de esperar a porta se abrir:
"-Aaah, quer dizer que se houvesse alguém inconsciente e preso no elevador vocês mandariam chamar um médium pra baixar a resposta? E só depois de constatar que havia mesmo um espírito preso, ce ia resolver abrir a porta? Tem mais, trocentas pessoas bateram nessa porta e eu respondi trocentase duas vezes, só parei quando já tava rouco depois de meia hora gritando! Putaqueopariu!... " e aproveitou para relembrar anos de palavras de baixo calão acumuladas e há muito sem uso que aprendera em sua adolescência, além das mais recentes e variadas, cujo ex-chefe lhe legara.
Após ameaças de processo do capiau irado, pedidos de desculpa aceitos, o jeca (de volta à inabalável calma matuta) volta para seu andar, de escada, senta-se em sua mesa e tenta trabalhar, dá aquela olhada psicológica pra claustrofobia:
-Uai!!Pensando bem, hoje cê perdeu, preibóia!
G. Borges
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Pequenências
Pequenências.
A dor do mundo partido
dobrado é o doído
se não é nosso
o universo quebrado
antes, aqui havia
um peito
jaz moído em trituração angustiada
autonojo, meu ônlico desgosto.
ônlicamente meu.
e jaz no breu a luz
antes havida nesse poço
olhos secos sempre estado
por exceçã-mór hoje aguosos
tão!! que nem o Velho Chico
em vasto leito me caberia
pela perda escolhida
dum mundo quebrado
que não é o meu
pela dor duma partida
mas me espremeu
exponência de dor.
eia! a incompetência!
de nem a raiva causar.
22-07-09 23:33
sábado, 18 de julho de 2009
A Pouca Fala
A Pouca Fala.
há, toda vez
bitela dum esforço
sempre há
a vontadezã, e também a causa
a explicação do silêncio capiau.
ei-la (ou alguma parte dela):
a voz ausente, muita dela
fruto é, não só da costumeira matutância
senão duma querência tenaz
de dizer o certo verdadeiro
o bruto silêncio
espera, só, ser rompido
quando dentro duma casca,
sair palavra essência, ou maior.
escura falta de som
acompanha o bom matuto, muita vez.
inda sim, os pontinhos brilhantes saem
quando em vez
e há quem veja Vênus como estrelinha colorida
pequenos buracos branco-prateados são
trechos de verdadezinhas
que se dão à luz.
palavras sertanejas...
G. Borges
quinta-feira, 16 de julho de 2009
TRAGICOMÉDIAS CAPIALESCAS
Ato II - Bandolins
O Partido da Razão
deposto
irrequieto arma ardis sigilosos
Nas ruas esburacadas
a massa retumba num grito gutural
- Emoção! emoção! emoção!
Abaixado no meio do tiroteio
matutamente ele tira seu chapéu
-a palha seca cravejada de furos-
e olha pra dentro
(de si)
se vê escorrendo.
é chão esfarelando
é noite que desentermina
é a mosca des-alada
é o arraste da cascavel ferida
é a dor de quem acorda
no meio dum sonho
de ar mais pesado que leite
é um querer correr,
e o passo não vir!
a câmera é lenta
mas o tempo não parou.
G. Borges
terça-feira, 14 de julho de 2009
TRAGICOMÉDIAS CAPIALESCAS
guardadas, resolvi dividí-las em partes, já que achei o formato dos textos
estavam saindo do padrão(?) dos últimos posts.
ATO I - O Ensaio
Eis que há uma revolução ali dentro
motins desordenados
capitaneados por velhos palhaços
velhacos que só
Seu conta gotas
que sempre funcionou
seu dosador de instintos
pinga pinga de emoção
enchendo sem turbulência
a cabaça dentro do peito
cortaram seu conta gotas!
fluxos fluidos desordenados
atrozes escapamentos sensitivos
é trem pipocando de todo lado!
...desordenadamente se aperta
espreme corpo
quer caber no fluxo...
12/07/2009 12:47
G. Borges
quarta-feira, 8 de julho de 2009
A represa
Um semestre de faculdade às vezes me custa 1 ano de vida...Mecânica dos fluidos, resistencia dos materiais, bioengenharia...quanta coisa bonita num só ano. Mais duas materiaszinhas e aquele trabalhinho acoxambrado de fim de semestre, dai corro pra cerva mais próxima.
Detalhe pra tópico da ultima matéria da ultima e mais fodelante prova do semestre, a de amanhã: "Trabalho Virtual". E eu que sempre quis algo assim...
Curiosamente, um fim de semana lotado de farras amigais me fará recuperar esse tempo perdido. Espero.
Proveitando que a bregueza não me abandonou, mais uma do mês retrasado me sai por aqui.
A Represa
Ela ali nadou
me danou a paz todinha
fingiu que nada tinha
a ver com isso tudo
do rio desenxerguei
das margens velhacas
mais não sei
rio que não acaba
desenxerga-se dele
ela ali nadou
de soslaio olhou danada
danou-me o mundo
numa olhada
só.
Vagamunda.
vaga a mente
vã demente
displicente
chuva de letras
palavras tontas de nexo
perplexei-me dali
choveu sem meio
sem começo
definhei
hein?
G. Borges
sábado, 4 de julho de 2009
Seção Ói de Peroba Extra-Plus Advanced.
Douze dúvidas.
Das vozes q'eu escuto ali
nenhum zumzum de tino
é tudo nebulosamente
cabulouso
halegrias estranhas hesistem?
se joleza há , nada devia me estranhar
mas do medo eu nem falo.
bem quis...
bem quis
tudo muito perigouso é,
às vêz.
ah!! Dotô Paulo, O de Tarso,
pros coríntios cê disse bonito:
"Quando menino,
falava como menino..."
Me falta a continuança
que na travessia é que parei.
É tanto mar!
G. Borges
terça-feira, 30 de junho de 2009
Desgovêrno II
Desgovêrno II
nem num sei pronde me leva
o sonho estacionado ali na esquina
da janela acho que escuto
cadim da música dela
vão nenhum eu deixava
minha carruagem atulhava
de coisa minha propriamente
que nem espremido cabia
suspiro sequer de lua alheia
espaço que hoje sobra
um lado que vi vago
ali
esquerdamente no peito
grandezim me enxergo
nobreza formada de supetão
nobreza-zã.
num exercício de paciência
palermo que sempre fui
esquento a água até ver as bolhas
entorno café pelo centro
devagar...
rapidez me entontece,
tem vez.
G. Borges
segunda-feira, 29 de junho de 2009
DESGOVERNO I
Bom, com meu ói de peroba em mãos, decidi tirar unas escrituras
guardadas no armário (entenda-se, oneNote, bichim bom esse).
Segue uma.
Desgoverno I
Sonho o tempo todo
pequenos sonhos sem rumo
sonhos grandes intercalados
é um trêm desgovernado
nem num sei donde ela vem
a música
nem não ouvi nada
antes dela
queria desejos úteis
sonhos retos
mas quando penso que não
cego me vejo.
meu ego é tamanho!
às vezes
noutras nem tanto
desconverso
Por G. Borges
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Erroso
Eu, cá insistirei no erro
cometerei renitente
a asna burrice
nem é por escolha errar
ah bão!
menos é que seria
medo mór de falhar
eia pois
na livreza d'exprimentar
sigo errante-miúdo ser
agigantado por dentro
numa bola de lições
cada errança, uma camada.
eu cá, insistentemente errarei
calarei um cadim essa frieza cabeçal
trupicarei em ti, como fiz antes
como farei de novo.
Artes de curandeirisse sempre acho
conserto as feridas sobre a pele nova,
grossa que só vendo.
e calejarei-me depois do ralado.
Vergonha acho que nunca nem tive.
(15/06/2009 - 00:20)
quarta-feira, 10 de junho de 2009
MATA-MOSCAS!!!
Confesso que depois do tempo de bateladas de prova, o que faltou
foi o ânimo, e um pouco da semvergonhice natural que me permite
escrever as bobagens de sempre.
Feriadão:
Mãe, to chegando ai na terrinha, me aguarde!! Quem sabe não recupero meu óleo de peroba.
bju do chico, o bento.