terça-feira, 26 de agosto de 2008

SAMBA FUGAZ



A
vantagem de um monólogo,
é a auto-cura!! E o auto-divertimento (Sim, eu tiro sarro d'eu mesmo)
E assim surge um blog de um leitor só...! (auto-risadas)

O fato agora é que uma banal, superficial e fútil micareta de interior,
pode ser melhor que banho de sal grosso pra descarrego!!
Tanto FOI, que me vi em vias de postar um samba-bossa
do sêo Zé, que me fez muito sentido agora na fase pós-ressaca.

Samba Fugaz.


se afogue em seus consolos
suas pedras frias

tristemente diminui
o seu conceito
seu preceito
sobre mim

nem mais poder de mágoa tu terias
sobre mim

magina só?
quem feriu meu coração
fui eu

e assim, que se seja
que vá
com meus melhores cumprimentos
meus melhores pensamentos

minha solidária gratidão
ao seu livre coração

meu vivalei nada vale!
senão a força que em mim renasce
e que me permite deixar
que você

Vá.

(Zé Figura)

por G. Borges

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

AS CORDAS



Às vezes descobrimos nosso tamanhinho
é um susto repetente, triste.
isso não é o fundo do poço

Um depois qualquer
E há sempre um alguém que nos vê de uma forma
que (pra nós, ao menos) parece mui grande, exagerada.
pessoa(s) que vêem grandeza, mesmo aqui na gente.

uma confiança cega (em nós)

O fundo do poço não chega
E se tiver chegado
Isso é a corda

Eu vejo o sol
Eu tenho cordas.


G. borges

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

LIBERDADE É CEGA.




UM DOS meus infernos se forma com dois ingredientes:
atraso na saída para aula + dia de jogo.

A Circunstância: Quinta feira e eu vestindo o manto sagrado azul celeste, no ponto à espera do mercedes benz 'azuzim' (com motorista e tudo) que me leva para aula.

Fato1: Me dou conta d'uma quantidade absurda de gente vestida com o dito manto, no mesmo ponto e me lembro: Cruzeiro x Inter : no mineirão...

Conclusão1: Foo Del (english speaking).

Resolvo subir mais alguns quarteirões para tentar pegar o busones antes que ele se entupa, e no ponto mais acima outro fato me chama a atenção.

Fato2: Ali eu contei 6 deficientes visuais em um grupo de menos de 20 pessoas, e isso me pareceu acima de qualquer estatística. De qualquer forma, depois de observar por mais algum tempo, notei que não vieram todos juntos, numa excursão turística ou coisa assim. Cada um estava 'na sua'. Alguns acompanhados, mas DOIS deles totalmente ''sozinhos''.

Me peguei matutando (e isso não tem cura) sobre
aqueles dois, em especial:

REVELAÇÃO: -->Eles simplesmente VÃO.

Não sabem se alguma viv'alma irá perguntar se precisam de ajuda ou se querem que ser avisados sobre um buraco na calçada ou quando o ônibus estiver passando.
Não. Eles confiam. Será que isso não é um negócio muito bonito? Fiquei matutando:
E se a gente vivesse assim, como os dois. Se simplesmente FOSSEMOS! Ao invés de esperar as coisas melhorarem, ao invés de querer ter certeza, ou de querer garantia de sucesso??
Tenho quase certeza que sempre haverá alguem que nos ajudaria a "subir nos ônibus" ou que nos alertaria quando o sinal abrisse.

Eu sei, falo muita coisa solta. Mas quem sabe não se tira dessa emboleira alguma verdade que não sei?

O que eu sei, é que eu quero só IR.


G. Borges

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

MEMÓRIA


Me peguei num pensamento: Acho que a memória da gente podia ser como uma RAM de computador, desliga-se a energia uma vez, e tudo se vai, e quando o pc reinicia, só ficam nela (memória) os programas realmente ''NECESSÁRIOS'' ao funcionamento da máquina. Né não?

" é facil esquecer
aquilo que se deve lembrar
dificil é largar do pensamento
o que se deve esquecer

pra poder continuar."
.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

PECADO CAPIAU


No dia 19 de maio de 1952, um matuto mór nomeado Jõao Guimarães Rosa (ou sêo Jõao Rosa, na fala de Manuelzão) iniciava uma jornada que duraria dez dias atravessando o sertão mineiro, na entrega de uma boiada por um percurso muito bem vivido pelos capiaus que guiavam o comboio. Destes, re-cito o mestre Manuelzão, sêo Zito e Sebastião de Morais, senhores do oficio da lida tropeira.

A inteligente pra-frenteza do sêo João residiu (na minha humilde visão) no fato de atentar para uma sabedoria sem fim, e raramente observada pelos 'da cidade'. Ele acompanhou uma entrega de boiada por dez dias, atravessando o gerais. Deixou-se mesclar ao mundo sertanejo, aos modos matutais. Ele aprendeu as palavras que não se escreviam - com aqueles que não sabiam ler.

Me toma, sempre que me lembro das minhas origens, um orgulho infantil por saber-me vivido num lugar por onde passou tã grandiosa TRAVESSIA, e por ter visto com meus próprios olhos um sêo Manuel Nardi parado na porta da igreja Matriz de Três Marias, esperando seu ônibus para Andrequicé. E na sequência desse orgulho, me toma o remorso. Nunca anotei nenhum de seus causos, e quando naquela casa humilde, não me preocupei em perguntar onde o seu Guima se sentou...etc. Essa é minha
mea culpa, meu pecado capiau. Um fato: eu era só uma criança fascinada com um senhor barbudo, que perambulava humilde e solenemente por uma cidade que não atentava para a pedra histórica que abrigava.

Mas sêo Rosa não foi bobo nem nada, anotava tudo em seu caderninho, ouvia atento os causos e as piadas dos matutos, e não lhes desprezava os modos e superstições. Nonada!(perdão, mas tinha que usar). Os registros desses dez dias de peregrinação, se embolaram de tal maneira a virar o que a gente hoje lê com reverência, o Grande Sertão: Veredas, e a novela da qual faz parte Manuelzão. Uma constatação: O único livro brasileiro entre as 100 maiores obras literária de todos os tempos foi escrito numa terra de veredas que eu vi e também atravessei (mesmo que em parte)!!

É disso que falo quando apelo para a matutice: Das coisas que não se dizem nos livros da escola. Dos livros feitos com olhos e bocas, das leis que ninguém registrou, e que regem esse mundo de forma tão misteriosa. É o mundo dos Gerais
, do vilarejo de Canoeiros, do centenário Andrequicé, do Lassance, do Morro da Garça e tantos outros. O que eu queria mesmo, era que a imagem do matuto de cócoras, mascando seu capim, ou fumando seu 'paieiro' num fim de tarde, fosse respeitada, sem ironia ou gracejos ou (o pior) pena. Visão para a qual, infelizmente contribuiu de forma genial o Mestre Monteiro Lobato, ainda que de forma involuntária, com seu jeca tatu desprovido de decisão e tino.

Que a sapiência matutal sobreviva aos tempos de neons coloridos, aviões e gente correndo dia e noite entre cubos de pedra.

G. Borges

para saber mais sobre Manuelzão, dê aquela bisolhada AQUI