terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Meu Chão
e perfura as folhas da mangueira da casa ao lado.
E na parede do meu quarto espalha marcas,
tal qual a fôrma untada esperando a massa.
Polvilhos fluorescentes de iluminar sonhos.
Raios peneirados e rabiscos de platina.
G.B
2012/02/19
00:44
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Te sei
Eu conheço teu riso secreto.
Eu sei.
Eu amo teu erro e seu medo.
Eu amo tua lágrima do fundo do meu sangue.
Sei teu olho como ninguém.
E como ninguém mais, estarei aqui
Pois que vivo tua alegria saltitante
Como o pulo que me falta.
Sou teu chão sonhador
Teu abraço mais encravado
Teu queimar quando congelas
Teu refresco quando ardes
E, se assim não for mais...
Seremos tudo.
Seremos grandes, seremos fortes e belos.
Seremos apenas metades.
07/05/2012
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Medida
Qual falta faz um pedaço,
ao pedaço que de cá fica pra trás
Se metade-proporção não há,
que meça o naco tardio
Se num palmo não cabe o vazio,
que aqui dentro jáz.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Malessência (conselho de moço)
Sêo Olimpo e o matuto, no caminho pro armazém. O velho homem
Deixa dada, o rosto do moço se ilumina.
GB - Junho 2010
domingo, 23 de maio de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
Estou virando um tiozão geek-jeca?
Num sei d'onde veio isso, mas uma curiosidade mórbida em desmonte e fuçação de coisas tomou conta do meu ser, de tal maneira que nas últimas semanas, pouco faço na web que não seja ler algo sobre BIOS, motherboard, CMOS e afins. Me pego olhando preços de ferramentas pra abrir e fuçar meu computador, ou peças pra acrescentar no PC, ou miniaturas de veículos e aviões em escala, para montagem, pintura e colagem.
Tudo bem que sempre tive uma queda pra coisas no estilo ''howstuffworks'', mas geralmente ela se mantinha no plano das idéias fundas(não confundir com profundas), daquelas que não vem à tona e não tomam parte no pensamento corriqueiro. Ademais, os 6meses de ciência da computação poderiam ter deixado algum rastro no meu interior, mas longos 5 anos passaram-se desde aquela época, e num sei porque só agora surgem pensamentos e atitudes nerdísticas de jovem mancebo recém saído da puberdade.
Claro que nunca deixei de lado as ambições de montar minha oficina de garagem, com todas as ferramentas e parafernálias mecânicas pra dar manutenção nos meus futuros 'filhotes' de metal e plástico, mas isso não me tomava o tempo útil pesquisando sobre o que fazer pra tornar o sonho real.
Assumo que li Kafka alguns dias atrás, com sua espantosa Carta ao Pai, mas nada que me remetesse diretamente à metamorfose, e ainda sim, me olhei do teto e vi um inseto rastejante no insubstancial mundo da web, geek-jequisses e afiliados. Acho que tinha trauma da ''porta trancada", não sabia, e acabo de me curar.
G. Borges
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Achados da Roça - Espinhela Caída
Segue outro semi-causo-trecho desconexo de estórias capialescas, inacabadas, como tudo até aqui. (atualizada em 10/05/2020)
"- É que desatinei do avesso, dotô, que nem Sêo Limpo deu jeito na espinhela minha. Declarou que tava caída de vez...trabalho pra maior potência de reza, que ele nem num tinha. Tem nada. Temporão, isso tudo.
Bobo fosse eu, marrava pedra no pescoço e pulava da pinguela na água gelada do córgo da baixada. Assombrei foi só na hora, que calado passei a ficar depois, e o costume vem me voltando. Artes de paciência aprendi , ademais, com mestre de gabarito, nem num foi?
Arre! que agora me volta o tino, a vergonha é tanta do quase-medo-pavor, nem... Ontem ainda veio, de soslaio, o tino ruim: era competência de falta de oração, creio. Sei que dotô conhece a mãe que tem, e de dívida que tenho com seu povo eu nem num falo. Mas será que, assuntando com ela, agora que tá boa dos ares de novo, ela num há de fazer a arribada de espinhela minha não?
Medo medo, nem num tenho, me volto pra paz lenta natural. Mas pro regular da cisma quietar, há de um espargir da erva molhada que só Sinhá Tonha - abençoada seja sempre- faz. Aquilo é sem igual em poder nesse gerais.
Modo que então, devidamente ungido de mato por dona Tonha, é que posso voltar pro assossego regular, lembrado do valor que humildemente colhi nesta vida. Vida de matutâncias veladas, de passos longos despressados, mel de jataí tomado no favo tirado pela mão própria que monta esse paioso fedido).
É lembrado dessa vida que olho com boa vista pro inimigo, de arriba pra baixo, e largo o passado arriado, sem peso pra caminhar pelo calendário que me fornecer o Ele. Ão. "
Tal papo findado, o matuto recolhido vê a força nos pés e mãos, a calma confiante de sempre retornando, antecipando a benzeção de Dona Tonha. O incômodo calor entre o pescoço e o peito e a prostração que sentiu nos últimos dias achariam fim nas mãos de Antônia Osório, companheira de João Osório e reconhecidamente eficaz na arte de cura com ervas naturais e orações sussurradas. Competência atestada pelos raríssimos indivíduos que dessa graça gozaram. Necessária era tal intervenção, dado que nem Sêo Limpo (Olimpo de nascimento), ancião benzedor de longa fama, logrou força suficiente para desfazer a 'queda de espinhela' do pobre capiau.
Voltou então à sua cabana, erguida nos arredores do pomar, ao fundo da casa grande, não sem antes bater a botina na soleira, remover o chapéu de vaqueiro e pisar firme com pé direito; galgou 3 ou 4 passos até a santinha de bronze que pendia dum barbante preso a um dos caibros de madeira no meio do cômodo único. Levou o dedo indicador à cabeça do ícone e em seguida tocou a testa, fazendo o tríplice sinal de cruz, tal qual fora ensinado pela saudosa mãe. Aquietou-se, então, no canto de dormir, bateu a poeira da esteira de bambú, tirou o calçado, e deitou tranquilo, certo da cura que chegaria logo ao alvorecer. Sonhou com mãos enrugadas, e cheirando à boldo.
"
18/11/2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Bonanza - They Call Me Trinity
#desisto-de-formatar-essa-merda-de-post#
Faz um tempinho eu queria falar duma semi-paixão jecal: Faroestes. Não que seja eu um cinéfilo pronto pra análise do contexto histórico-cultural que permeia os westerns. O fato é que trata-se de um gosto não muito antigo, e que ao mesmo tempo tem raízes de infância, quando fuçava em armários de tios e encontrava livrinhos de banca, sobre faroeste, todos com ilustração dos pistoleiros mais procurados nas capas...
Enfim, esse post já faz alguns meses, mas na memória fraca que tenho, é como fosse ontem.
BONANZA - THEY CALL ME TRINITY
Esse fim de semana foi uma grata surpresa . Constato que há em casa de um colega de trabalho(e aluno de Autocad) um tesouro: uma coleção completa de Bonanza!!
Após a aula, e um agradável almoço com a família (esposa, filho de uns 13 anos, e filha formanda em psicologia), meu colega pergunta casualmente se eu gostava dum faroeste. Um maldito "nuuu, gosdimais!" brota da garganta antes que eu desse por mim, como fosse dublagem de enlatados americanos, onde a fala sai antes da boca se mecher.
Tentei, imediatamente, disfarçar a emoção de ver a pilha de filmes(16 ao todo), mas aquele senhor demonstrou tanta satisfação no fato de eu gostar de faroeste, que eu larguei de frescura. Pisco o olho, e lá tou eu jogado no sofá, abusando da hospitalidade da família mais uma vez, vendo Terence Hill e Bud Spencer e suas estripulias em "They Call Me Trinity". Simples, claro e bruto, como deve ser um bom spaghetti western, ou qualquer outra coisa nessa vida.
Na cozinha, a mulher preocupada repreende o marido: "Bem, você já pensou se o menino não teria outras prioridades pro fim de semana dele? Fica insistindo pro coitado ver suas velharias!",
Não me dei ao trabalho de assinalar mesuras, o tiroteio já pipocava...aool.
G. Borges
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Trilha
Trilha
Porque encontra
o desprocurado no miudo das cores
Porque descansa o sono
que antecede a caminhada
Porque respira o som
da carruagem que vai
E pela senda vê que
de baixo
o penhasco não é tão alto
escalado porém
crescentemente nota
que é tanto quanto poderia ser
Estaturazã.
E sente que
o fôlego quase faltante
e na garganta um risco de lã
querendo roubar-lhe vidas
insípidos descoloridos são
desprezados quedam-se
Ante o ar desparticulado
O imaterial viajante
narinas adentro
De grama recém cortada.
O respiro inexistente
E por que prevê sombras da verdade
(oniricamente desdistantes)
É que dormirá o sono
curto e livre
do imberbe ser que
trôpego
recém andou pela prima vez.
26/10/2009
23:46
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Achados da Roça - VISITA
"[...]
-Se acredito?
-Nem.
E nem descreio, modo que em desconfiância natural-constante hoje ando, torto na trilha daquela água. Porque o rio escorre pelo leito que pr'ele foi talhado, e inda sim trata de moldar, afundando - por ânsia própria de chegar ao MAR - a própria sua estrada...
E quando, infante em carro de meus pais, vi o leito de asfalto desaguar no mar pedroso onde agora vivo, consciência não tinha de quanto mal aqui toparia, nem da belezazinha safadamente amoitada em cantos-esquinas, quanto mais de...esse é um mar estranho, mano meu. Muito bem me fez a visita sua, lhe confesso, e num foi só requeijão caseiro e pelo café torrado, mas a lembrança mano, a lembrança[...] "
"[...]-Josino, o engenheirozim dotô, o fi do sêo Antônio, mesmo disse bunito das tais intermitências da vida, do tal gradiente, das diferenças de temperatura jogando calor dum lado pro outro, da esquisita pressão, que carrega liquido e gás pra lá e pra cá, e que só descansa quieta quando quedada em energia... Energia, tem negócio mais estranho?
Eeita, que moda inventei agora! Bubiça tanta. Há de que a fala solta vã, carrega muita sujeira de pensamento que, num fosse o silêncio antecipado tratando de limpar, espalhava toda pela voz e virava verdade na boca ruim. É porque penso bem do silênciozinho matutante, O Que Antecede [...]"
Bão, antes que venham com aqueles emails altamente instrutivos que andei recebendo meses atrás, já aviso que nunca neguei meus 'ídalos' e reafirmo o convite para leitura do primeiro post desse lugar. E reforço que adoraria receber qualquer tipo de comentário, critica, ou xingamento, basta que haja fundamento, fundamento!. Té.
G. Borges
sábado, 3 de outubro de 2009
FALANDO E DIZENDO NADA.
Épocas tensas tiram a liberdade da prosa boa e livre entre compadres. Assim também tiram
a permissão da auto-prosa, do pensamento solto e próprio.
E assim, ainda com partes boas acontecendo, não sobreveio ao matuto em questão a livreza de cabeça necessária para escrever algo novo aqui. Tenho planos de matutâncias guardados, mas nenhum se dispôs a sair dos flashes cerebrais pra virar um textim qualquer. Tenho a matutância pela descoberta do lado filosófico da engenharia, de como a danada anota a vida no meio dos seus 'modelos'. Hei de reclamar do trabalho(que ultimamente não tem me satisfeito como antes), da escola(só pra não perder o costume), do tempo que já foi e era bom. Quero falar da terrinha que não vejo à quase 3 meses(devo bater o recorde), de um vilarejo que não vejo a quase um ano e de coisas que inquietam as camadas adentradas dum jeca. Tem um raio dum post que escrevi início do mês, no notepad ou no oneNote, mas não acho o trem também.
Até lá, treino a paciência. Hora tem que o parafuso pensador gira, descamba a carreira de letras faltantes e liga os flashes isolados de ideias bobas que tenho. Antes disso, me enrolo num silêncio semi-vazio, semi-pensante, espio e observo. Quando um mestre meu me ensinava a técnica, caindo de gargalhadas desmedrosas, eu não gastava tempo discordando: ria também.
"J: É preciso comer bem meu neto, mas guarde um pouco pra brusundanga."
"G:Brusundanga é a sobremesa vô?"
"J:Tsc tsc tsc, não meu filho, é a cachorra da vizinha"